Lembrei-me agora disto
Alegria
Nos últimos tempos, alguns sectores, com muito eco na comunicação social, têm repetido até à exaustão que os portugueses vivem acima das suas possibilidades. E eu pergunto: mas quais portugueses? Os que estão desempregados?Ora, a resposta às questões do terceiro parágrafo estão no segundo parágrafo. Como é que não se pode pôr em causa ou destruir um Estado Social que não evita que 40% da população esteja abaixo do limiar da pobreza, que quase 2/3 da população viva com um orçamento inferior a 900 euros e que a emigração esteja a crescer? Como é possível que num país em que isto acontece não se reflicta no papel que tem a abundância de serviços públicos e direitos sociais?
Os que auferem o salário mínimo nacional? Os que se encontram no limiar da pobreza e que atingiriam cerca de 40 % da população se não fossem as prestações sociais e as ajudas do Estado? Os 57% que vivem com um orçamento familiar abaixo dos 900 euros? Os que se vêm novamente forçados a emigrar?
Como é que nestas circunstâncias se pode pretender pôr em causa e destruir o Estado Social? Como é possível que num país como o nosso se apresente um projecto de revisão constitucional contra os serviços públicos e os direitos sociais?"
A nuestros hermanos
De acordo com o Tratado de Tordesilhas de 1494, tudo o que a Espanha conquistar a Este do meridiano 46 é, na verdade, propriedade de Portugal.
Querem fazer o favor de nos entregarem a taça?
Atentamente,
A tendência europeia para o declínio*
Ao contrário do que parece, não se trata de uma boa notícia porque existe uma forte correlação entre crescimento económico e emissões de carbono. Em praticamente todos os países, emissões mais elevadas estão associadas a taxas de crescimento mais elevadas. E, se se restringir as emissões de carbono sem providenciar fontes alternativas de energia economicamente acessíveis, o PIB ressentir-se-á. Por outras palavras, ao defender cortes adicionais nas emissões, Hedegaard está, de facto, a fomentar uma depressão ainda mais grave.
Vale a pena recordar que mesmo antes das suas actuais dificuldades económicas, a Europa era incapaz de acompanhar as taxas de crescimento dos EUA, já para não referir as das economias emergentes da Índia e da China. Para permanecer em jogo, a UE reconheceu há uma década que necessitava de ser particularmente imaginativa. Por isso, a Estratégia de Lisboa (2000) continha uma resolução para aumentar em 50% a despesa em investigação e desenvolvimento (I&D) na década seguinte. Infelizmente, nada disso foi feito, tendo essa despesa sofrido uma ligeira redução desde então.
Isto é particularmente lamentável porque a I&D em tecnologias de energia verde é realmente a única estratégia viável de longo prazo para reduzir o consumo de combustíveis fósseis sem prejudicar a economia mundial.
(…)
Os modelos climáticos mostram de forma inequívoca que todos os prejuízos económicos que tais reduções das emissões de carbono previsivelmente provocariam teriam um impacto insignificante nas temperaturas globais. O modelo económico e climático mais utilizado mostra uma queda minúscula de 0,05 graus centígrados nos próximos 90 anos. Apesar da colossal despesa, o efeito no clima do final do século seria praticamente imperceptível.
Infelizmente, parece que a Europa decidiu que, se não pode conduzir o mundo à prosperidade, deve tentar conduzir o mundo ao declínio. Ao persistir obstinadamente numa abordagem que falhou redondamente no passado, a Europa parece ter reservado para si própria uma posição económica cada vez mais insignificante no mundo, com menos postos de trabalho e menos prosperidade. Mesmo a mente mais optimista teria dificuldade em encontrar um pouco de esperança nesta conjuntura.”
Bjørn Lomborg*, o polémico autor de "O Ambientalista Céptico" e "Calma! - Cool It"
Embora não seja uma ideia presente neste artigo, é importante referir que os subsídios atribuídos à produção de energias verdes podem ser ambientalmente nefastos por abrandarem a I&D em combustíveis menos poluentes. Com efeito, não é complicado defender que quem consegue vender uma energia verde muito acima do seu custo através de um subsídio fica com menos incentivos para encontrar formas mais eficientes de a produzir. Este é só mais um caso de boas intenções que dão maus resultados e em que se dá mais importância às primeiras do que aos segundos.
Talento
"Durante nove anos, Blimunda procurou Baltasar. Conheceu todos os caminhos do pó e da lama, a branda areia, a pedra aguda, tantas vezes a geada rangente e assassina, dois nevões de que só saiu viva porque não queria morrer. Tisnou-se de sol como um ramo de árvore retirado do lume antes de lhe chegar a hora das cinzas, arregoou-se como um fruto estalado, foi espantalho no meio de searas, aparição entre os moradores das vilas, susto nos pequenos lugares e nos casais perdidos. Onde chegava, perguntava se tinham visto por ali um homem com estes e estes sinais, a mão esquerda de menos, e alto como um soldado da guarda real, barba toda e grisalha, mas se entretanto a rapou, é uma cara que não se esquece, pelo menos não a esqueci eu, e tanto pode ter vindo pelas estradas de toda a gente, ou pelos carreiros que atravessam os campos, como pode ter caído dos ares, num pássaro de ferro e vime entrançados, com uma vela preta, bolas de âmbar amarelo, e duas esferas de metal baço que contêm o maior segredo do universo, ainda que de tudo isto não restem mais do que destroços, do homem e da ave, levem-me a eles, que só de lhes pôr as mãos em cima os reconhecerei, nem preciso olhar. Julgavam-na doida, mas, se ela se deixava ficar ali por uns tempos, viam-na tão sensata em todas as mais palavras e acções que duvidavam da primeira suspeita de pouco siso."
Memorial do Convento
José Saramago 1922-2010
Friedrich Hayek (1899-1992)

O Caminho da Servidão - F.A. Hayek
Este livro, publicado há 66 anos, foi ontem o mais vendido na Amazon americana, em resultado de 10 minutos de televisão que - vale a pena - podem ser vistos aqui.
É caso para dizer que as boas ideias acabam por vencer um dia.
Esta ligação dá acesso a uma versão traduzida para Português (do Brasil).
Por cá, está também na Fnac, na Bertrand ou na Wook.
Fax
O aquecimento global e o protocolo de Quioto do século XIX
“Em 1989, representantes de todo o mundo reuniram-se em Nova Iorque para a primeira conferência internacional de planeamento urbano. Um assunto dominou as discussões. Não foi a habitação, a utilização da terra, o desenvolvimento económico ou as infra-estruturas. Os participantes estavam desesperados por causa dos excrementos de cavalo.
Os cavalos não eram uma novidade na vida urbana. Mas no final do século XIX, o problema da poluição equina atingiu níveis sem precedentes. O crescimento do número de cavalos ultrapassava até o rápido crescimento do número de residentes urbanos. As cidades americanas afogavam-se em excrementos de cavalo bem como de outros desagradáveis problemas: urina (além do cheiro, empastelava as ruas), moscas por todo o lado, engarrafamentos, carcaças abandonadas e acidentes de trânsito. A vulgarizada crueldade contra cavalos era também uma forma de degradação ambiental.
A situação era medonha. Em 1894, o jornal Times, de Londres, estimou que por 1950 todas as ruas da cidade estariam sob quase 3 metros de excremento de cavalo. Na cidade de Nova Iorque previa-se que por 1930 o excremento de cavalo alcançariam as janelas do terceiro andar dos prédios de Manhattan. Uma crise de saúde pública e de salubridade de dimensões impensáveis parecia iminente.
E não se entrevia qualquer solução. Afinal de contas, o cavalo tinha sido o meio de transporte dominante nos últimos séculos. Os cavalos eram imprescindíveis para o funcionamento da cidade do século XIX: para o transporte pessoal, para o transporte de mercadorias e até para força mecânica. Sem cavalos, as cidades definhariam quase literalmente.
Todos os esforços para mitigar o problema revelavam-se desadequados. Derrotada pela crise, a conferência de planeamento urbano declarou infrutíferos os seus trabalhos e acabou ao fim de 3 dias em lugar dos 10 que estavam marcados.”
Parece-me um bom aperitivo para o ler o artigo completo.
Liftoff
Este pequeno filme mostra um pormenor do lançamento da quinta missão tripulada do Programa Apollo (Apollo 11), a partir do Centro Espacial Kennedy (Cabo Canaveral, Florida, EUA), a 16 de Julho de 1969, no foguete Saturno V. Tripulada por Neil Armstrong, Edwin 'Buzz' Aldrin e Michael Collins, foi a primeira missão espacial a pousar na lua.
A câmara utilizada rodou a 500 imagens por segundo e a duração do filme de mais de 8 minutos representa 30 segundos reais.




